18/04/2012

Século do homem amarelo e do homem castanho.

Ao que consta, senhor, vocês, os chineses, encontram-se muito adiantados em relação a nós em todos os aspectos, à excepção do facto de não terem empresários. E a nossa nação, apesar de não ter água potável, nem electricidade, nem sistema de esgotos, nem transportes públicos, nem regras de higiene, nem disciplina, nem boas maneiras, nem pontualidade, verdade seja dita que empresários não lhe faltam. São aos milhares. Sobretudo na área da tecnologia. E foram estes mesmos empresários —  nós, empresários — que implantaram todas as empresas de subcontratação que agora praticamente governam a América
...
Dizia que vocês, os chineses, são grandes amantes da liberdade e da livre iniciativa. Os ingleses tentaram fazer de vocês criados, mas vocês nunca os deixaram. Ora aqui está uma coisa que eu admiro, senhor primeiro-ministro.
Sabe, é que em tempos eu também fui criado. 
Só há três nações que nunca permitiram que os estrangeiros as governassem: a China, o Afeganistão e a Abissínia. São as três únicas nações que eu admiro.
...
Por uma questão de respeito pelo amor à liberdade demonstrado por parte do povo chinês, e também na convicção de que o futuro do mundo cabe ao homem amarelo e ao homem castanho, agora que o nosso amo de outrora, o homem de pele branca, definhou devido à prática de sodomia e à utilização abusiva de telemóveis e de drogas, prontifico-me a contar-lhe, livre de quaisquer custos adicionais, a verdade a respeito de Bangalore.
...
O século, mais especificamente, do homem amarelo e do homem castanho.

Aravind Adiga em O Tigre Branco

Sem comentários: