08/05/2012

Carnage

Roman Polanski é o realizador do meu filme favorito por isso acompanho a sua obra cinematográfica com algum detalhe. Aliás, é bastante fácil já que não se caracteriza por realizar muitos filmes. A minha falha é Chinatown. Já o tenho gravado no MEO mas ainda não houve aquele 'click' para ser a minha companhia numa noite pós-laboral.

Baseado numa peça francesa de teatro(Le Dieu du carnage), Polanski transporta-nos até um apartamento onde 2 casais se reuniram para discutir uma briga recente entre os seus filhos. O que deveria ser uma breve troca de palavras acaba por se arrastar...

O elenco resume-se a 4 actores, alguns miúdos como figurantes(entre eles um dos filhos do realizador) e algumas vozes. Mas se o elenco é reduzido em quantidade é extremamente rico em qualidade. O casal anfitrião é composto por Jodie Foster e John C. Reilly. Ela volta aos grandes palcos após algumas escolhas diferentes e ter retornado a realizar. Ele, uma presença constante em papeis secundários, volta a ter um papel onde pode realmente mostrar que é actor. Fez recordar-me a sua participação em Magnólia. Ela é a civilizada e Ele o pacato. O outro casal é interpretado por Kate Winslet e Christoph Waltz. Ela é, por muitos, considerada a nova Meryl Streep. Ele foi descoberto por Tarantino em Inglourious Basterds e desde aí não parou, está em crescimento exponencial. Ela é a sofisticada e Ele o ocupado. Mas o meu favorito é John C. Reilly. Consegue surpreender produzindo uma extraordinária interpretação do principio ao fim, acompanhando toda a transformação radical que a sua personagem sofre. Em grande.


Como na maioria dos filmes que vejo, já sabia as linhas gerais do filme(é o que dá ler revistas e blogues de cinema), mas não foi por isso que deixei de apreciar com prazer o trabalho requintado de 4 actores que se juntaram a um grande realizador num pequeno apartamento. Não chega a 90 minutos de diálogos constantes, sem qualquer salto no tempo narrativo a partir do momento em que nos juntamos aos casais. É como sermos uma mosca e entrar pela janela de um qualquer apartamento para observar a acção no seu interior. Melhor, parece uma peça de teatro filmada.

A narrativa começa lenta, com o apresentar do problema em discussão, cheio de boas maneiras, delicadezas, cordialidades, com os casais unidos a defenderem os seus filhos de forma educada. Mas com o passar dos minutos, com o abrir da garrafa do whisky, com a tarte, com os telefonemas, os defeitos de cada um ficam visíveis. Já não há casais. Há luta de géneros. Há confronto de identidades. Há franqueza levada ao extremo devido ao desgaste de toda a situação.

Michael Longstreet: We're born alone and we die alone.... who wants a scotch?

Para quem gosta de filmes com muito diálogo é perfeito. Temos de estar alertas para percebemos o brilhante encadear dos diálogos, como divagamos entre histórias, voltamos à luta dos filhos, voltamos a histórias, ouvimos um telefonema, voltamos à luta dos filhos,... Achei genial. E divertido :D

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