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29/05/2013
19/04/2013
Invenção de Deus
Para mim não existe idéia superior à de que Deus não existe. Tenho atrás de mim a história da humanidade. O homem não tem feito outra coisa senão inventar um Deus para viver, sem se matar; nisso tem consistido toda a história do mundo até hoje.
Fiódor Dostoiévsk em Demónios
16/04/2013
Ler
Ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz.
Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego
Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego
08/04/2013
25/01/2013
07/09/2012
Verdade Ambígua
Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de porque se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e o outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exactamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão.
Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.
Fernando Pessoa em O Livro do Desassossego
31/08/2012
Respect
Dra. Melfi: When's the last time you had a prostate exam?
Tony: Hey, I don't even let anyone wag their finger in my face.
28/08/2012
Cruzeiro da Vida
Vivemos todos, neste mundo, a bordo de um navio saído de um porto que desconhecemos para um porto que ignoramos; devemos ter uns para os outros uma amabilidade de viagem.
23/08/2012
22/08/2012
You Did?
Janice: What did you do with...[Richie's body]?
Tony: (deadpan) We buried him... on a hill... overlooking a little river... with pine cones all around.
Janice: You did?
Tony: (irritated) Come on, Janice! What the f**k do you care what we did with him?
21/08/2012
Inteligência
- Cheguei a uma conclusão.
- Qual?
- Que nós dois não somos as pessoas mais inteligentes do mundo e que há gente mais inteligente do que nós.
- Subtil e preciso.
Fiódor Dostoiévsk em Demónios
24/05/2012
House, foi um prazer. Ide em paz.
Patient: “Are you this rude to all your patients?”
House: “Yes, don’t think you’re special.”
"Dying people lie too. Wish they'd worked less, been nicer, opened orphanages for kittens. If you really want to do something, you do it. You don't save it for a sound bite."
[knocking on Dr. Wilson's door] "I know you're in there. I can hear you caring."
“Religion is a symptom of irrational belief and groundless hope.”
“I teach you to lie, cheat, and steal, and as soon as my back's turned you wait in line?”
"Everybody lies."
House: “Yes, don’t think you’re special.”
"Dying people lie too. Wish they'd worked less, been nicer, opened orphanages for kittens. If you really want to do something, you do it. You don't save it for a sound bite."
[knocking on Dr. Wilson's door] "I know you're in there. I can hear you caring."
“Religion is a symptom of irrational belief and groundless hope.”
“I teach you to lie, cheat, and steal, and as soon as my back's turned you wait in line?”
"Everybody lies."
23/05/2012
10/05/2012
Lei do homem
Cada minuto, cada instante deve ser uma alegria para o homem... Sim, deve ser. O dever do homem é proceder de modo a ser assim. É a lei do homem, lei secreta, mas real.
Fiódor Dostoiévsk em Demónios
19/04/2012
Nação valente e imortal by António Lobo Antunes in Visão
Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.
Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.
Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.
Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.
Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.
Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
18/04/2012
Século do homem amarelo e do homem castanho.
Ao que consta, senhor, vocês, os chineses, encontram-se muito adiantados em relação a nós em todos os aspectos, à excepção do facto de não terem empresários. E a nossa nação, apesar de não ter água potável, nem electricidade, nem sistema de esgotos, nem transportes públicos, nem regras de higiene, nem disciplina, nem boas maneiras, nem pontualidade, verdade seja dita que empresários não lhe faltam. São aos milhares. Sobretudo na área da tecnologia. E foram estes mesmos empresários — nós, empresários — que implantaram todas as empresas de subcontratação que agora praticamente governam a América
...
Dizia que vocês, os chineses, são grandes amantes da liberdade e da livre iniciativa. Os ingleses tentaram fazer de vocês criados, mas vocês nunca os deixaram. Ora aqui está uma coisa que eu admiro, senhor primeiro-ministro.
Sabe, é que em tempos eu também fui criado.
Só há três nações que nunca permitiram que os estrangeiros as governassem: a China, o Afeganistão e a Abissínia. São as três únicas nações que eu admiro.
...
Por uma questão de respeito pelo amor à liberdade demonstrado por parte do povo chinês, e também na convicção de que o futuro do mundo cabe ao homem amarelo e ao homem castanho, agora que o nosso amo de outrora, o homem de pele branca, definhou devido à prática de sodomia e à utilização abusiva de telemóveis e de drogas, prontifico-me a contar-lhe, livre de quaisquer custos adicionais, a verdade a respeito de Bangalore.
...
O século, mais especificamente, do homem amarelo e do homem castanho.
Aravind Adiga em O Tigre Branco
10/04/2012
Quase
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planeando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Sarah Westphal Batista da Silva
04/04/2012
Cus divinos
É um costume ancestral e venerado do meu povo começar a contar uma história dirigindo uma prece a um Poder Divino.
Calculo, Vossa Excelência, que também seria boa ideia se eu começasse por lamber o cu dum deus qualquer.
Mas o cu de que deus, pergunto-me eu? O sortido é tão variado.
Sabe, os muçulmanos têm um único deus.
Os cristãos têm três deuses.
E nós, os hindus, temos 36 000 000 de deuses.
O que perfaz um total de 36 000 004 cus divinos por onde eu escolher.
Bem sei que há pessoas, e não me estou a referir apenas a comunistas como o senhor, mas a pensadores de todos os partidos políticos, que julgam que a maioria destes deuses não existe deveras. Há até alguns que estão convencidos de que nenhum deles existe. Só existimos nós e um oceano de escuridão à nossa volta. Mas eu, que estou longe de ser filósofo ou poeta, como poderei saber a verdade? É um facto que estes deuses, apesar de pouco ou nada fazerem — muito à semelhança dos nossos políticos —, todos os anos são reeleitos para os tronos dourados do céu. Não quero com isto dizer, senhor primeiro-ministro, que eu não os respeite! Nunca permita que esta ideia blasfema se inculque no seu espírito amarelo. O meu país é do género em que fazer jogo duplo compensa: o empresário indiano tem de ser em simultâneo honesto e trapaceiro, trocista e ingénuo, matreiro e sincero.
Assim: estou a fechar os olhos, a juntar as palmas das mãos num namasté reverente e a rezar aos deuses para que iluminem a minha história obscura.
Seja paciente comigo, Sr. Jiabao. Isto é bem capaz de levar algum tempo.
Quanto tempo acha o senhor que levaria a lamber 36 000 004 cus?
Aravind Adiga em O Tigre Branco
02/04/2012
But I have lived! And I still continue living everyday
I have forgiven mistakes that were indeed almost unforgivable. I've tried to replace people that were irreplaceable.
I've acted on impulse. I've been disappointed on other people when I never thought that could be possible. But I have also disappointed someone.
I've embraced someone to protect them. I have laughed at inappropriate occasions. I've made friends that are now friends for life. I've loved and I've been loved. But I have also been rejected and I have been loved without loving the person back.
I've screamed and jumped for joy. I've lived for love alone and made vows of eternal love. I've had my heart broken many, many times!
I've cried while listening to music and looking at old pictures. I've called someone just to hear their voice on the other side. I have fallen in love with a smile. At times, I thought I would die because I missed someone so much. At other times, I felt very afraid that I might loose someone very special (which ended up happening anyway.) But I have lived! And I still continue living everyday. I'm not just passing through life... and you shouldn't either. Live! The best thing in life is to go ahead with all your plans and your dreams, to embrace life and to live everyday with passion, to lose and still keep the faith and to win while been grateful. All of this because the world belongs to those who dare to go after what they want. And because life is really too short to be someone insignificant.
Charlie Chaplin
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